Por Conrado Jenevain
"A Rua Direita, que principia neste largo e só termina lá no Alto dos Passos, é a mais importante da cidade. É tão larga como os "boulevards" de Paris, e mais extensa que qualquer deles. Tem importantes edificações, está bem arborizada de ambos os lados e perfeitamente nivelada, protestando assim contra o costume que há no Brasil de se chamar Direita à rua mais torta. Falta-lhe calçamento. Dêem-lho, ela será uma formosa avenida."
O texto acima, extraído de uma carta escrita por Artur Azevedo em 1888, foi "garimpado" por Dormevilly Nóbrega e publicado posteriormente na edição de 2010 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora. Não são poucas as divertidas referências a uma Juiz de Fora do fim do século XIX, ainda sem iluminação elétrica, sem opções noturnas e com apenas quatro ruas, sendo a mais importante delas a Rua Direita. Tal Rua Direita é nada mais nada menos do que a tão celebrada "maior avenida em linha reta da américa latina" - embora já tenha perdido esse posto - mas fato é que a Avenida Rio Branco talvez seja (ou pelo menos deveria ser) nosso grande trunfo turístico, uma vez que não é comum em cidades do interior de Minas ruas tão largas e abarrotas de opções comerciais (quem dera culturais) e, por assim dizer, também abarrotada de pessoas.
Observando o pequeno trecho da carta do irmão mais velho de Aluísio Azevedo, célebre escritor de "O Cortiço", percebe-se que àquela altura a Avenida Rio Branco só parecia ter um defeito: a falta de calçamentos. Imagino que quando finalmente calçaram a nossa "boulevard" juiz-forana ela tenha se tornado perfeita e digna de um título francês, mas a verdade é que com o tempo os problemas vão surgindo e parece-nos difícil de aceitar que aquela sutil Rua Direita tenha se transformado em um monstro que hoje é: a caótica Rio Branco.
Com exceção da Avenida Getúlio Vargas (que merece um post no futuro, pela sua, digamos...complexidade) a avenida que vai da Garganta do Dilermando até os confins do Alto dos Passos recebe o maior fluxo de veículos do centro da cidade, principalmente os ônibus urbanos e inacreditáveis caminhões bastante carregados. O cidadão que frequenta todos os dias a Rio Branco já deve ter se acostumado a escutar a todo momento a palavra "insuportável", que define com clareza a situação, principalmente para os que esperam ônibus urbanos no lugar, que agora conta com pontos quilométricos que só tornam a famosa "corridinha" até a condução uma maratona.
A proposta de uma "Nova Rio Branco", que por sua vez faz parte da "Nova Juiz de Fora", inserida no programa político do velho prefeito Custódio Mattos é a de reformular os pontos de ônibus que ocupam a pista central da avenida, exclusiva para o transporte público. Os pontos ganharam um novo aspecto que muito deve ajudar nos momentos de chuva intensa, mas fora isso, a sua extensão e localização ainda parece equivocada. São muitas as linhas, muitos os passageiros e pouca Rio Branco. A pretensa funcionalidade da obra não justifica sua megalomania e execução exatamente no ano de eleição para prefeito, o que de forma alguma confere legitimidade ao projeto. Aliás, ainda existe o fato de que a obra tenha atrapalhado os pedestres, já que é desnecessário comentar o completo equívoco nas novas instalações das faixas. Ficamos assim um pouco mais desejosos de melhorias do que Artur Azevedo, quando reclamava um simples calçamento para a nossa "boulevard" que, independentemente de ações políticas mal realizadas, continua sendo dolorosamente uma formosa avenida.
Conrado Jenevain é estudante do departamento de História da Universidade Federal de Juiz de Fora.
* Foto retirada do blog Maria do Resguardo.

Sabe, sempre tive orgulho de nossa Av. Barão do Rio Branco, mas vez ou outra souto um "Essa M.... de Rio Branco que não anda" quando a culpa nem é da coitada, me recuso a falar sobre a administração municipal, a culpa deve ser da economia brasileira que fez os pobres comprarem carro, como diz a galera do "lado negro da força" ou da fraqueza!
ResponderExcluir