terça-feira, 12 de junho de 2012

Avenida Rio Branco: Do boulevard francês ao caos da Nova Juiz de Fora



Por Conrado Jenevain

"A Rua Direita, que principia neste largo e só termina lá no Alto dos Passos, é a mais importante da cidade. É tão larga como os "boulevards" de Paris, e mais extensa que qualquer deles. Tem importantes edificações, está bem arborizada de ambos os lados e perfeitamente nivelada, protestando assim contra o costume que há no Brasil de se chamar Direita à rua mais torta. Falta-lhe calçamento. Dêem-lho, ela será uma formosa avenida."

O texto acima, extraído de uma carta escrita por Artur Azevedo em 1888, foi "garimpado" por Dormevilly Nóbrega e publicado posteriormente na edição de 2010 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora. Não são poucas as divertidas referências a uma Juiz de Fora do fim do século XIX, ainda sem iluminação elétrica, sem opções noturnas e com apenas quatro ruas, sendo a mais importante delas a Rua Direita.  Tal Rua Direita é nada mais nada menos do que a tão celebrada "maior avenida em linha reta da américa latina" - embora já tenha perdido esse posto - mas fato é que a Avenida Rio Branco talvez seja (ou pelo menos deveria ser) nosso grande trunfo turístico, uma vez que não é comum em cidades do interior de Minas ruas tão largas e abarrotas de opções comerciais (quem dera culturais) e, por assim dizer, também abarrotada de pessoas.

Observando o pequeno trecho da carta do irmão mais velho de Aluísio Azevedo, célebre escritor de "O Cortiço", percebe-se que àquela altura a Avenida Rio Branco só parecia ter um defeito: a falta de calçamentos. Imagino que quando finalmente calçaram a nossa "boulevard" juiz-forana ela tenha se tornado perfeita e digna de um título francês, mas a verdade é que com o tempo os problemas vão surgindo e parece-nos difícil de aceitar que aquela sutil Rua Direita tenha se transformado em um monstro que hoje é: a caótica Rio Branco.
Com exceção da Avenida Getúlio Vargas (que merece um post no futuro, pela sua, digamos...complexidade) a avenida que vai da Garganta do Dilermando até os confins do Alto dos Passos recebe o maior fluxo de veículos do centro da cidade, principalmente os ônibus urbanos e inacreditáveis caminhões bastante carregados. O cidadão que frequenta todos os dias a Rio Branco já deve ter se acostumado a escutar a todo momento a palavra "insuportável", que define com clareza a situação, principalmente para os que esperam ônibus urbanos no lugar, que agora conta com pontos quilométricos que só tornam a famosa "corridinha" até a condução uma maratona.

A proposta de uma "Nova Rio Branco", que por sua vez faz parte da "Nova Juiz de Fora", inserida no programa político do velho prefeito Custódio Mattos é a de reformular os pontos de ônibus que ocupam a pista central da avenida, exclusiva para o transporte público. Os pontos ganharam um novo aspecto que muito deve ajudar nos momentos de chuva intensa, mas fora isso, a sua extensão e localização ainda parece equivocada. São muitas as linhas, muitos os passageiros e pouca Rio Branco. A pretensa funcionalidade da obra não justifica sua megalomania e execução exatamente no ano de eleição para prefeito, o que de forma alguma confere legitimidade ao projeto. Aliás, ainda existe o fato de que a obra tenha atrapalhado os pedestres, já que é desnecessário comentar o completo equívoco nas novas instalações das faixas. Ficamos assim um pouco mais desejosos de melhorias do que Artur Azevedo, quando reclamava um simples calçamento para a nossa "boulevard" que, independentemente de ações políticas mal realizadas, continua sendo dolorosamente uma formosa avenida.

Conrado Jenevain é estudante do departamento de História da Universidade Federal de Juiz de Fora.

* Foto retirada do blog Maria do Resguardo.

Um comentário:

  1. Sabe, sempre tive orgulho de nossa Av. Barão do Rio Branco, mas vez ou outra souto um "Essa M.... de Rio Branco que não anda" quando a culpa nem é da coitada, me recuso a falar sobre a administração municipal, a culpa deve ser da economia brasileira que fez os pobres comprarem carro, como diz a galera do "lado negro da força" ou da fraqueza!

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